A compaixão é o fio de Ariadne

Atualizado: Jan 24

O sentimento de compaixão não necessita ser vivido estritamente, como por exemplo, o fizeram grandes mestres da compaixão como Madre Thereza, mas necessita ser vivido em certa medida... medida esta que varia infinitamente como são particulares as pessoas. A importância desta vivência da compaixão deriva de sua função reguladora e inibidora do sentimento oposto: o egoísmo e suas também infinitas variações; e em especial aquele que infla o ego de soberba e superioridade. No nosso mundo, o ser superior, por ter mais ou por saber mais ou ainda por ser mais que o outro, é uma armadilha comparativa (as redes sociais estão tornando esta comparação com o outro algo que beira o patológico) aonde os próprios candidatos a santos são presos, pois o ser mais humilde e desprovido de vaidade pode ainda, paradoxalmente, ser vaidade... O sentimento de compaixão é oportuno neste sentido pois desvela uma outra dimensão, uma outra experiência em que o ego e sua satisfação não são o centro. Fornece o vislumbre de um modo diferente de ser e viver, distinto daquele modo tão inevitavelmente comum que é o nosso, ora se confundindo com a luta pela sobrevivência, ora se confundindo com a luta pelo topo e suas benesses.

É fácil se perder no caminho, é uma floresta densa a vida. Em certa medida errar o caminho é o que tem que acontecer para se dar início à aventura da existência, como nas estórias de heróis e contos de fada. Mas aí também temos o fio de Ariadne, que nos revigora a esperança de retornar, depois de, como Teseu, matarmos o monstro (a ambição, a falta, a ânsia, o querer sempre mais) que habita em nós. A compaixão é o nosso fio de Ariadne. (Fred Max)



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