Sobre conhecer a si mesmo e viver

Passar os dias sem se dar conta da perplexidade que é existir, é desdenhar, sem saber, da experiência de uma compreensão profunda da vida e da morte. Por força do hábito, da tradição, da natureza, do que quer que seja, vivemos distraídos, exteriorizados em excesso, sem o movimento fundamental de voltar para si, olhar para si e para vida, num sentido não só de desfrutá-la, mas de observá-la com um anseio intenso e honesto de compreensão. É nesta intenção que se abre a possibilidade de viver a vida mais intensamente. Claro que não se trata de viver 10 anos a mil, nem de viver mil anos a dez, mas viver na direção contrária da negação dos aspectos supostamente negativos da vida, como a morte e a tristeza. Aprender a lidar com este sentimento é o que faz a diferença entre a depressão e o estado de paixão. Esse estado acontece quando não fugimos ao sofrimento. De fato, os sábios veem oportunidade no sofrimento. Estamos longe disso, entregues ao princípio de prazer, repetimos o passado sem viço. Por outro lado, vemos a arte em sua potência afirmativa, transformar a dor em beleza numa alquimia misteriosa aos olhos neuróticos, que não conseguem ver o ouro escondido no chumbo dos acontecimentos sombrios. Não se trata de ser masoquista porque não se trata de buscar o sofrimento, mas de recebê-lo com dignidade. Isto, de novo, faz toda a diferença. Acolher a emoção, aprender com ela e com ela se transformar. Essa inteligência emocional que nos falta. Neste ponto, a arte, a espiritualidade, a filosofia e psicologia se encontram. O êxtase espiritual, samadhi, é concebido como um estado de paixão sem objeto, ou seja, sem causa ou motivo aparente. É através da vivência, compreensão e incorporação das diferentes emoções que afina-se o espírito e a mente, tornando-os mais perceptivos e capazes de aprender e se modificar. Isto é viver intensamente pois quando se percorre os dias com o desejo de se conhecer (e isso também é conhcer a vida pois só existe a vida que você vive e experiencia!) os acontecimentos saem da esfera do quero/não quero e passam a ser integrados numa totalidade que é a sua história, enfim, que é você! (Fred Max)



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